O Teatro

  O Teatro até à Idade Média

O teatro é uma das mais antigas expressões artísticas do Homem, que sempre lhe dedicou espaços arquitectónicos notáveis. Pode ter nascido já no III milénio a. C., no Antigo Egipto, com as celebrações em torno dos momentos marcantes da figura do faraó. Esta sacralidade vigorará na Antiguidade Clássica, quando se representavam as façanhas dos deuses, como Dionísio, ou tragédias e episódios da criação do Homem e do mundo. Recorde-se que o termo teatro para os Gregos, como para os Romanos, designava o espaço cénico e o espaço da assistência, o conjunto arquitectónico onde se desenrolariam géneros como o drama ou tragédia, a comédia, os enredos, etc.

A tragédia foi o género que mais cedo ganhou notoriedade, porque era considerado também o único representável, como renovação do indivíduo através da morte ou do sofrimento, mas evoluiu de tal forma que algum tempo depois eram já representadas tragédias mais próximas do ideal do cidadão, conciliando poesia, política, ideais de cidadania e espírito atlético, numa versão mais humanizada da mesma. Veio depois a comédia como instrumento de sátira e crítica do mundo, de idealismo político e vivencial. Depois do século IV, surgiria a "nova comédia" mais trivial e divertida mas sempre crítica e reflexiva.

Na Índia a representação servia principalmente para relatar epopeias e histórias das origens. O argumento tinha pouca importância, valendo mais as cenas em si, com o seu movimento. No Japão, é de realçar o teatro de marionetas, frequente a partir do século XVIII.

No Ocidente, entretanto, com a queda do Império Romano, também o teatro desapareceu até perto do ano mil. Mas o teatro religioso foi aquele que mais marcou a Idade Média, tendo tido a sua origem nos dramas litúrgicos em Latim. A Idade Média também tinha "teatro" cómico, com as farsas. Em Portugal, surgiu, em finais do século XV e meados da centúria seguinte, o teatro de Gil Vicente, de gosto medieval mas, de certa forma, de temática profana já renascentista.


O Teatro do Renascimento ás luzes

O Renascimento, de facto, foi a idade de ouro do teatro europeu. Apesar das limitações ao profano o teatro perdeu a sua quase exclusiva componente sacra da Idade Média. Assumiu-se cada vez mais como "teatro popular", mas já mais "profissionalizado", com a comédia separada da tragédia e com os autores a ganharem importância e independência criativa. A comédia ganhou novo alento na Itália, graças à influência do folclore. O teatro "nacional" desenvolveu-se, principalmente em Inglaterra e Espanha, evocando as memórias antigas e os feitos e grandezas do passado, misturando o mundo da cavalaria com os clássicos redescobertos. Os adros das igrejas eram entretanto substituídos por novos "palcos", mais profanos, mais concorridos e com públicos mais diversificados. Aparecem as companhias, os géneros, os guarda-roupas e cenários, e até lucro com os bilhetes das peças, por via de investimentos importantes, mecenato ou actores particulares. O teatro não mais deixou de ganhar em fulgor e redescoberta, apurando-se géneros como a comédia, a ópera e a tragédia.

Na segunda metade do século XVIII o teatro adapta-se à sua época, simplificando-se cenicamente, em relação à ópera, principalmente. Se o repertório é ainda o do século XVII os espaços são já diferentes, mais apropriados e dignificados cenicamente, tanto em teatros como em palácios ou abadias imperiais. Entretanto, o século XVIII verá nascer dois novos géneros, a comédia sentimental e a tragédia doméstica.

 

O Teatro do Romantismo à actualidade

O Romantismo irá, no entanto, pôr de lado os cânones barrocos e rococós, conformistas e desadaptados aos novos tempos. O teatro romântico ganhou notoriedade com figuras como Victor Hugo (Hernâni), Zorrilla (D. Juan) ou Rostand (Cyrano), para além dos alemães Goethe e Schiller. Se os primeiros revisitam valores antigos, figuras alegóricas e folclóricas, sob uma nova roupagem nacionalista ou exemplaridade, os segundos partem para a procura do Homem em se conhecer a si próprio. Em Portugal, destaca-se o mais notável exemplo de teatro romântico: Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett (1843).

Surgirão, depois, o Realismo e o Naturalismo, em finais do século XIX. O indivíduo libertava-se de amarras morais e éticas desadequadas aos novos tempos e à condição humana, rompendo com determinismos estáticos e inertes, valorizando-se como ser social. O Expressionismo, de certo modo anti-realista em termos de teatro, surge no primeiro quartel do século XX, baseado na valorização cénica como modo de reprodução de ideias, na mecanização da sociedade e no repensar da importância do subconsciente e da interioridade psíquica do indivíduo. No Teatro Contemporâneo, cujo início pode coincidir com a Primeira Guerra Mundial, há que recordar a comédia social, criticamente mordaz mas divertida. Os primeiros, autores existencialistas, privilegiavam a procura da personagem como sujeito de decisões morais.

Em Portugal, destaquemos, depois da Segunda Guerra Mundial, Alves Redol, Jorge de Sena ou Bernardo Santareno, entre tantos outros autores da questão social do Existencialismo. Entretanto, surgiu a Vanguarda, nos anos 50, com os ingleses com o seu teatro do realismo social. Entretanto, há que referir o teatro infantil, que desde sempre existiu, da China Antiga à Inglaterra de finais do século XVI, mas que ganhará relevo com a importância que a criança adquiriu no século XIX, principalmente nos regimes comunistas. Muitas outras companhias surgiram nesse século em todo o mundo, recriando velhos clássicos como Peter Pan, Alice no País das Maravilhas e Branca de Neve, como não deixou de suceder em Portugal, onde, como no resto do mundo, surgiram autores especializados em teatro infantil.


 

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Teatro em Portugal



Principais fontes de pesquisa:

Wikipédia